23.6.08

Sardinhada GRH 2008

No passado dia 21 de Junho, como é tradição na comunidade ISMAIATA RH, realizou-se um grande encontro, um encontro de todos os que de alguma forma estão ligados à licenciatura de gestão de recursos humanos do ISMAI. Realizou-se a grande Sardinhada.
Como é costume, desde a entrada de Bolonha, no curso, cabe ao 2º Ano deste curso organizá-la. Este ano foi a nossa vez. Este ano coube-nos a nós preparar tudo para que este ano não fosse nenhuma excepção. Coube-nos a nós a árdua responsabilidade de superar as excelentes organizações de anos transactos.
E conseguimos! Deu trabalho, muito trabalho, quer no antes, no durante e no depois. Mas conseguimos! Cansaço físico, a preocupação inerente a um evento desta envergadura. No durante, medo de que alguma coisa pusesse em causa todo um esforço. Mas conseguimos! Demos provas de que somos capazes, mostramos, mais uma vez, que a comunidade ISMAIATA RH está viva. Mostramos aos nossos antecessores de que fomos capazes de dar continuidade à grande tradição deste curso, e transmitimos aos que se seguem de que vale a pena todo um trabalho e todo um esforço.
Pessoalmente, a vontade de me sentir útil neste evento sempre foi grande, desde a primeira vez. Toda a preocupação que tinha foi desaparecendo ao longo de todo o dia. Ficou lindo o ISMAI! E o cansaço físico desapareceu com a chegada das primeiras pessoas, faltava mais uma etapa, a principal, a etapa para que nos disponibilizamos, a etapa que todos esperavam. Acho que tal como todos, dei o meu melhor. Estamos e devemos estar todos com um sentimento de dever cumprido. Estamos de parabéns!
Agora…venha o magusto!

26.4.08

"O Papalagui"


Nome de personagem de desenho animado. É assim que classifico o nome que nos é dado por Tuiavii. Não só pelo nome em si, mas também pelo que ele simboliza.
O livro “O Papalagui”, representa, de entre tudo o que eu já vi escrito e tudo o que já ouvi dizer de nós ocidentais, a maior critica alguma vez feita. Sobre o ponto de vista de um chefe de tribo, a de Tiavéa – mares do sul – um indígena, com crenças muito fortes no “Grande espírito”, aceitando tudo aquilo que ele o envia sem questionar, ou até mesmo pensar nisso.
Dizemos nós que vivemos numa civilização. Ora bem, civilização significa estado do progresso e cultura social. Civilização é uma palavra derivada do verbo civilizar, que por sua vez significa tornar civil, educar.
Não sou uma pessoa vivida, com experiências que possam surpreender ninguém, mas desde que me lembro de mim a palavra educar era sempre utilizada num bom sentido, no sentido da educação, da boa educação, e que daí derivam atitudes, importantes numa sociedade, como o respeito. Pelo menos é assim que normalmente somos educados. Respeito por tudo e todos. Mas isso é coisa que este indígena acha que não existe onde vivemos. Não acho que seja generalizável, mas não deixa de ser uma realidade.
Este livro, demonstrou-me que o acto de educar também tem o seu lado negativo, pode-se educar para o mal também, e não precisamos de ir ao Oriente, ver, por exemplo aquelas crianças a serem treinadas para matar. Elas estão, de certa forma a ser educadas, e também por definição, estão a ser civilizadas. Simplesmente são culturas diferentes, valores diferentes, modos de levar a vida diferentes (que não deixo de repugnar).
Tuiavii usa estas frases:
· “A verdadeira divindade do homem branco é o metal redondo e o papel forte a que ele chama dinheiro”.
· “O Papalagui é pobre porque está obcecado pelas coisas. Já não pode passar sem elas.”
· “Correm desvairados de um lado para o outro como se estivessem possuídos pelo aitu[1].”
Será que ele não tem razão ao dizer isso sobre nós? Será que nós não passamos os dias obcecados por tudo e por nada, obcecados demais por coisas supérfluas não olhando, muitas vezes para quem nada tem? Ignorando estes, por vezes, como se de uma espécie inferior fossem? Será que nós, por vezes, ignoramos essas críticas exactamente por elas serem o nosso “calcanhar de Aquiles”?
A vida faz-se caminhando, como já à muito o ouvimos. E nós viemos do mesmo, caminhamos para o mesmo, somente tomamos caminhos diferentes nesta longa caminhada que é a vida. E isso faz com que a espécie humana seja a espécie animal com mais subespécies do mundo? Pois não deveria ser.
Será que a nossa cultura social e a nossa civilização são as melhores? Será que somos nós que estamos certos?

[1] Diabo

6.3.08

Parece que o sítio na internet da Associação Cultural Seara Verde voltou à sua normalidade...

Ao menos isso...

4.3.08

E, infelizmente, é assim...

Costuma dizer-se que tudo o que começa acaba. Pois eu não sou muito desta opinião, ou melhor, não consigo ser desta opinião, por mais que veja coisas a começar e a acabar como se de portas a abrir e a fechar se tratassem. Naturalmente que é uma hipérbole, mas parece que é preciso começar a exagerar um bocado para que se comece a prestar atenção ao que realmente acontece no nosso Concelho da Povoação. Estou, naturalmente de acordo que a vida é um exemplo do que começa e acaba, isto é uma certeza. Mas neste caso nada se poderá fazer, não cabe ao Homem decidir isso. Noutros casos sim. Noutros casos cabe somente e, repito somente, ao Homem decidir o início e o fim das coisas.
Como estou ausente da Povoação, por estar a estudar fora, costumo ler a imprensa diária, semanal e mensal de toda a Região em formato digital.
O jornal Seara Verde era um exemplo dessa imprensa. E fiquei triste por não vir a público a sua última edição, “por falta de quórum”. E mais ainda, reparei que a página de internet da Associação Cultural Seara Verde está fora do ar. E pelo que se apresenta, por falta de pagamento da página. O que é muito triste.
Alguém tentou perceber o porquê? Alguém tentou perceber as razões, e digo, as verdadeiras razões. É porque se existe falta de quórum é porque não foi só o director do jornal que saiu, saíram mais pessoas. Quem foram? Porquê? Será que ouve algum conflito entre eles? Quem sabe…
É triste não ver este Jornal. É triste ver que há pessoas que se metem em associações como estas e que não cumprem os seus deveres até ao fim. A isto chamo falta de respeito. Falta de respeito para com a organização em si mesma e falta de respeito para com a população, e inclua-se, como é obvio, os não residentes, os nossos emigrantes, que se vêm privados do jornal, com mais tradição no Concelho e que lhes mostra as notícias do mesmo. Sendo ele, também, um espaço onde as pessoas se podem exprimir livremente.
Parece que vão para lá atrás de algum protagonismo no Concelho, muitos deles, se calhar, não tendo sequer noção do que se trata, não tendo noção que aquilo é de serviço público e não para serviço próprio, não honrando assim o estatuto que lhe foi concedido. É triste ver isso, mais vale ficarem quietos. Ou então escolham-se melhor as pessoas, criem-se melhor as equipas, para que estas se mantenham unidas para o bem e para o mal. Para que situações destas não aconteçam, que em nada dignificam a Associação, o Jornal e, claro, quem o representa.
Há pouco tempo, foi notícia internacional devido à organização do Congresso de Imprensa não Diária, apoiado até pelo Governo Regional. Tudo belo e bonito, e agora? Nada... Costuma dizer-se: “zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades”. Será que foi o caso? Será que ainda iremos saber mais alguma coisa? Os atentos, à espera ficarão, sem dúvida.

29.2.08

Mestres vs. Exemplos



Hoje, tal como faço diariamente, dou uma olhada em algumas publicações diárias da Região.
Deparei-me com um pequeno artigo de opinião, que pelo seu tamanho não diminui em nada o seu teor.
Tem como título “Mestres” e foi escrito por Maria do Céu Patrão Neves no Jornal Diário.
Quantos de nós não olhamos para alguém, não ouvimos alguém, e não vemos ali um exemplo. Por vezes, um exemplo só mesmo a ser tomado em consideração, não necessariamente um exemplo a seguir, mas mesmo assim, um exemplo, um ensinamento.
Mestre é sinónimo de grande, de importante, de exemplar.
Esta é uma categorização atribuída a Homens que davam o exemplo. Que, no modo empírico mais puro, era líder. Temos o exemplo do mestre de uma embarcação, tão comum na nossa Região. Igualmente comum temos o mestre artesão.
Mestre é um seguinte, é uma pessoa que marca. Mestre é professor.
Todos têm pelo menos um mestre na sua vida. Mestre é aquele “exemplo de vida” que tanto se diz, mesmo não tendo noção do próprio conceito de mestre.
E quem tiver aberto à aprendizagem, tiver a humildade de admitir que se pode aprender diariamente, irá encontrar mestres toda a vida, mesmo que estes já tenham partido à muito.
Tenho a felicidade de ter encontrado aqueles a quem chamo “os meus mestres”. Aqueles que para mim são os tais “exemplos de vida”, aqueles que diariamente me ensinam mais um bocado, e que me ensinaram muito. Espero que me ensinem ainda mais e que toda a minha vida encontre exemplos, pelo menos, tão bons quanto eles.
E agora veio-me à cabeça o ditado: “Se vieres por bem Deus te abençoe. Se vieres por mal Deus te perdoe”. Apesar de que as vindas menos boas, também são bem vindas, nem que seja para que os conceitos de “fazer o bem” e “fazer bem” se enraízem cada vez mais.
Aproveito para agradecer a todos os que me ensinaram e que me ensinam. E também para pedir mais.

30.9.07

Povoação Actual





O Concelho da Povoação parou. De há anos para cá que se tem notado uma acentuada regressão no nosso concelho, ainda mais quando comparado com os concelhos mais próximos, e isso é do conhecimento e acordo de todos. E só não o vê quem não quer ou quem não lhe convém ver. Sem dúvida que o maior cego é aquele que não quer ver, o que é, sem dúvida, muito mau para todos.

Passou mais um Verão, mas com ele não passa a mágoa de que não foi, de todo, um bom Verão. Um Verão convidativo àqueles que nos escolhem todos os anos para umas merecidas férias, ou simples passeio. A Povoação não está habituada ao “vazio” que se fez sentir este ano, a Povoação e os povoacenses não podem, nem devem estar habituados a este “vazio”.

Em praticamente todos os povoacenses reinava a frase: “não se faz nada”, e nos restantes, já poucos, reinava o conformismo, uns porque não podem, outros mais uma vez porque não convém. Nos visitantes e nos nossos emigrantes havia a frase: “A Povoação já não é o que era”, frase essa que dos nossos emigrantes era dita com alguma tristeza, infelizmente.

A nossa Povoação já foi o local onde no Verão se enchia de visitantes (inclua-se, claro, os nossos emigrantes). Era, também, a primeira escolha da maioria dos micaelenses.

Isso tudo e muito mais, infelizmente, no nosso concelho, que é “O Mais Lindo Dos Açores”, acabou.

Depois disso, chega-se à conclusão de que algo está mal, alguma coisa não corre bem, alguém não está a trabalhar bem.

Já todos repararam que me refiro à Câmara Municipal, e aos seus responsáveis máximos, que desde 2002 não fazem mais do que uma eterna campanha eleitoral, aproveitando todos os “tempos de antena” que vão “comprando” com dinheiro de todos nós para anunciarem o vazio que todos nós cada vez mais sentimos.

Resta-nos a alegria e a esperança de mudança. Mudança essa que já se iniciou, já se nota cansaço, já se nota que os povoacenses estão fartos. Já se notam muitas vozes, neste momento, algo revoltadas fartas de falhas e de mentiras por parte deste executivo municipal.

A Povoação merece melhor, a Povoação merece mais, é a ideia que prevalece na cabeça de todos.

Falando em casos concretos.

Nas Furnas, o tão falado, e agora criticado, Complexo Desportivo. Não pergunto para quando o seu fim. Mas sim, para quando o seu inicio? É que já reina a ideia de que simplesmente foi cartaz de campanha eleitoral. Houve furnenses que já disseram que não era necessário tanto. Um campo de futebol sintético, como o que foi construído na Lomba de Cavaleiro servia muito bem os jovens furnenses, atletas do Futebol Clube Vale Formoso. Se assim fosse, se calhar já se teria iniciado e não se teria agravado o preço da obra, como é o caso do Complexo das Piscinas.

No caso da nossa Vila, queria perguntar para quando o arranjo da zona da beira-mar, criada com a obra de protecção da orla marítima. Para quando uma decisão concreta, plausível e aceitável para aquele espaço?

Para quando o prolongamento da avenida na Lomba do Loução?

E as casas que iriam ser entregues na mesma Lomba, mas que afinal não são propriedade da Câmara? E as da Ribeira Quente?

Não posso esquecer também a zona do Morro, mais propriamente a sua praia e a área em frente aos balneares. Zona esta que bem aproveitada e ornamentada, pode muito bem fazer aumentar as condições para que se possa aproveitar aquela praia, até porque é uma praia que em nada nos deixa atrás de outras da ilha.

Muitas outras situações, que em nada nos alegra, ficam por enunciar. A Povoação, e os povoacenses esperam e desesperam por uma Câmara concreta, uma Câmara presente, presente em todos os aspectos.

29.9.07

Somos Todos Portugueses

Todos os portugueses têm direito de votar, desde que sejam eleitores. Tendo estes, para além desse direito, o dever de o fazer. No entanto, muitos eleitores, nestas eleições, não votam por inúmeras razões: por não o quererem fazer, ou por o seu cartão de eleitor não ter sido feito a tempo, ou ainda e também, por uma qualquer razão legal estarem impedidos de o fazer.
É o caso dos estudantes das Regiões Autónomas que por quererem continuar os seus estudos, têm de sair da sua Região.
Nestas alturas, alturas de campanhas eleitorais, só se fala de apelo ao voto por parte de todos. Uns nem querem ouvir, outros apesar de ouvirem nada podem fazer, porque para o poderem fazer teriam de se deslocar a casa por um fim-de-semana, o que nem sempre é possível, sobretudo por razões económicas, especialmente para os estudantes dos Açores.
Nas últimas eleições, as regionais, não houve problema nenhum, tivemos aqui o sistema de voto antecipado, que independentemente do número de votos, são sempre votos úteis.
Acho que somos esquecidos, em certa parte, só porque temos de nos ausentar para que um dia mais tarde possamos voltar e, de alguma forma, contribuir para o desenvolvimento da nossa região. Acho que esse deveria ser um assunto que deveria ser visto pelas entidades competentes, para que só assim todos, mas mesmo todos, pudéssemos dar o nosso contributo ao País, como cidadãos que somos. Até porque se o voto antecipado dos estudantes deslocados, é um acto cívico legalmente previsto para umas eleições, porque será que não o é para outras?
Também porque somos jovens, e somos o futuro deste País, o nosso contributo não deve ser negado por qualquer que seja o motivo.